Inspecção às viaturas


Depois de algumas peripécias burocráticas finalmente vou recuperar os “charutos”…pensava eu, naquela manhã, depois daquele dia anterior – papéis e mais papéis, depois daquele dia em que afinal o navio tinha que ir a Roterdão – antes de aportar em Leixões, depois daqueles 15 dias de viagem, etc. etc…

Depois de algumas peripécias burocráticas finalmente vou recuperar os “charutos”…pensava eu, naquela manhã, depois daquele dia anterior – papéis e mais papéis, depois daquele dia em que afinal o navio tinha que ir a Roterdão – antes de aportar em Leixões, depois daqueles 15 dias de viagem, etc. etc…

Afinal, no armazém número x estavam à minha espera algumas pessoas, não sei se eram seis Inspectores da Secção de Investigação do Tráfico de Estupefacientes e quatro elementos da Alfandega, mais uma estagiária, mais o despachante, mais dois mecânicos, mais um putro elemento que não percebi quem era, além do condutor do camion…sei que eram muitos…”um exército”.

Conversa pouca, curta e seca, apercebi-me que os jipes íam ser investigados, revistados, virados do avesso, em busca de droga… imediatamente associei esta investigação, ao País de onde tinham vindo, à ida a Roterdão, à entrada num porto de mar europeu… admito que fiquei apreensivo. E se???

E se houvesse alguma coisa lá dentro? – perguntei.
Bem, ía preso e dava-se início a um processo crime por tráfico de droga – responderam-me laconicamente.

Assim, sem mais nem menos??? – insisti, atónito.
Sim, isso mesmo. Depois dar-se-ia início a uma investigação. Mas para já ficava detido e estas investigações são demoradas – respondeu-me o Inspector.

O virar do avesso decorria calma e minuciosamente…as caixas, os sacos de roupa suja, as ferramentas, compartimentos dos jipes, pneus, forras das portas, etc…tudo passado a pente fino.

Depois, bem depois tudo acabou bem naquele dia. No dia seguinte, mais papéis e mais alfandega, mas noutro local.
Fica o registo e para bom entendedor…